sábado, 24 de maio de 2014

Lira dos Vinte Anos - resumo e análise da obra de Álvares de Azevedo
Obra mais conhecida do poeta ultrarromântico Álvares de Azevedo, contém criações vinculadas a duas vertentes bem definidas: de um lado, temas sentimentais e abstratos; de outro, a forte presença do sarcasmo e da ironia
Considerado o mais significativo representante da segunda fase do romantismo brasileiro, intitulada ultrarromantismo, ou “geração do mal do século”, e com grande influência dos escritores Lord Byron e Alfred Musset, o poeta Manuel Antônio Álvares de Azevedo produziu intensamente em sua curta vida. Quase toda a sua obra foi publicada postumamente, a partir de 1853.

Em 1942, Homero Pires lançou uma edição final para as obras completas de
Álvares de Azevedo. Lira dos Vinte Anos ocupa lugar relevante, sendo organizada em três partes. A primeira apresenta uma poesia de cunho idealizante, sentimental e abstrato. Na segunda, o poeta envereda pela ironia e pelo sarcasmo. A terceira é um retorno à dicção da primeira.

ARIEL E CALIBAN
As poesias são escritas sob o signo das entidades místicas Ariel e Caliban, que foram tomadas emprestadas da peça A Tempestade, de William Shakespeare. Pode-se dizer que, grosso modo, Ariel representa a face do bem e Caliban, a do mal. Em
Lira dos Vinte Anos, esses personagens encarnam as duas facetas exploradas pelo autor na primeira e na segunda parte do livro.

Com Ariel estão os temas caros ao Romantismo, como o amor, a mulher e Deus, trabalhados num viés platônico e sentimental. A mulher assume caráter sobre-humano de virgem angelical, objeto amoroso de um encontro que, para a angústia do eu-lírico, nunca se realiza. Caliban, por sua vez, é a face sarcástica, irônica e autocrítica do fazer poético. Sobressaem os temas da melancolia, da tristeza, da morbidez e de Satã.

A primeira parte recebe uma influência mais idealizada e terna, típica dos franceses Musset e Lamartine; a segunda, irônica e satânica, vem diretamente do poeta Lord Byron.

BYRON E MUSSET
As influências literárias em
Álvares de Azevedo têm papel vital em seus trabalhos artísticos. Não apenas como fonte de inspiração, mas como motivos literários propriamente ditos. Essas referências, citadas textualmente, funcionam como se fossem personagens metonímicos do universo poético do eu-lírico, servindo-lhe de companhia nas noites de profundo lirismo.

Junto do leito meus poetas dormem – O Dante, a Bíblia, Shakespeare e Byron –

Byron e Musset, no entanto, estão mais presentes no universo de influências do poeta, principalmente o primeiro. As razões estão no caráter lendário que teve a vida de Lord Byron, repleta de aventuras amorosas, e no fato de que o poeta britânico foi o grande modelo de poeta ultrarromântico. Musset, seguidor de Byron em via mais sentimental, é para o poeta brasileiro um meio amenizador do impacto da poesia do primeiro em sua consciência literária. Pode-se dizer que, na primeira parte de
Lira dos Vinte Anos, a influência de Byron é regida pelo filtro da leitura de Musset. Daí o tom sentimental e idealizado. É o que se pode perceber nos versos de Anjos do Mar:

As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d’escuma revolvem-se nus!

Na segunda parte, é como se Byron estivesse diretamente ligado ao canal criativo do poeta brasileiro. Basta ver o sarcasmo ferino e tétrico do conjunto de poemas. Um exemplo é a trova de O Poeta Moribundo, parte de Spleen e Charutos:

Poetas! amanhã ao meu cadáver Minha tripa cortai mais sonorosa!...
Façam dela uma corda, e cantem nela Os amores da vida esperançosa!

A OBRA
Lira dos Vinte Anos é o trabalho mais conhecido de Álvares de Azevedo. A obra contém, na primeira parte, um prefácio geral e uma dedicatória à mãe do poeta. São 33 poemas, que vão de No Mar até Lembrança de Morrer. A segunda parte é formada por 19 poemas, além de um elucidativo prefácio que abre a seção. Os poemas começam por Um Cadáver de Poeta e vão até Minha Desgraça, incluindo a série Spleen e Charutos.

Como foi dito, a terceira parte, com textos que vão de Meu Desejo a Página Rota, está tematicamente ligada à primeira. A
análise dos poemas iniciais se aplica também a essa seção final da obra.

PRIMEIRA PARTE
O primeiro prefácio de
Lira dos Vinte Anos é um importante elemento de compreensão dessa seção do livro. No texto, o poeta introduz uma perspectiva daquilo que o leitor encontrará nos poemas. São lamentos de um eu-lírico tímido e inexperiente, que se apresenta ao público: “São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor.

É uma lira, mas sem cordas: uma primavera, mas sem flores, uma coroa de folhas, mas sem viço”.
Percebe-se, nessas linhas iniciais do prefácio, a configuração de um eu-lírico que se apresenta num conjunto de antíteses sobre o fazer poético. É algo muito característico do romantismo esse dilaceramento do eu diante do mundo, que se traduz em contradições. Nota-se, pelas imagens do prefácio (lira, cânticos, canto, harmonia, vibrações), como o poeta elabora uma apresentação metalinguística, ou seja, que trata do próprio fazer poético.

A incapacidade de atingir a plenitude da beleza poética se traduz em uma repressão dos sentimentos de gozo. O tema do “medo de amar” ilustra de maneira exemplar o dilaceramento dramático da subjetividade poética. É bom lembrar que
Álvares de Azevedo era um adolescente bem-nascido e sofria da típica dificuldade em conciliar o desejo carnal com o sentimento amoroso, situação bem comum à segunda geração romântica brasileira. Tome-se como exemplo os seguintes versos de O Poeta:

Era uma noite – eu dormia
E nos meus sonhos revia
As ilusões que sonhei!
E no meu lado senti...
Meu Deus! por que não morri?
Por que do sono acordei?
No meu leito – adormecida
Palpitante e abatida,
A amante de meu amor! (...)


Nesse trecho, estão bem representados os temas principais da primeira parte do livro. Diante da impossibilidade de realizar seus impulsos, o eu-lírico sublima os desejos, refugiando- se em um mundo imaginário de virgens idealizadas, de anjos e de espuma. Para isso, a atmosfera noturna é o ambiente preferido: na noite, os contornos se desvanecem, os limites se desmaterializam.

O mesmo desejo de fuga para estados fluidos de semiconsciência explica a grande presença de imagens que sugerem o sono ou a morte. Os adjetivos antitéticos do penúltimo verso citado, “palpitante” e “abatida”, sugerem o conflito básico entre o impulso de vida (Eros) e o de morte (Tânatos). Essa ambiguidade se cristaliza no verso a seguir, em que “a amante” não se relaciona diretamente com o poeta, mas com seu amor. Trata-se de uma configuração quase exemplar do amor platônico, que não se dirige a outro ser, mas ao próprio ato de amar. É uma poesia de seres e idéias abstratos, imersos em uma noite nebulosa.

O eu-lírico sofre uma cisão interna que se reflete também num aspecto cronológico. Ele sente que sua alma – nutrida de vastas leituras – é velha, enquanto o corpo – desprovido de experiências amorosas – é ainda muito jovem. No poema Saudades, há um exemplo disso:

Foi por ti que num sonho de ventura
A flor da mocidade consumi, (...)

A “mocidade”, ou juventude, foi “consumida” por outra que aparece ainda de forma indefinida e que se revelará, no decorrer do poema, um amor de infância do poeta, com quem ele lia romances e poemas e se sentia vivenciando grandes amores da
literatura romântica. É o caso das citações dos personagens Carlota e Werther, Jocelyn e Laurence, que encarnam amores difíceis ou frustrados. A mesma fuga para o sono e para a morte é aqui a fuga para a literatura, que consome a juventude do poeta-leitor. O poema segue tratando dessa perda da mocidade:

E às primaveras digo adeus tão cedo
E na idade do amor envelheci!


Há aqui uma inversão do antigo tema do carpe diem (aproveita o dia). Diferentemente do uso clássico do tema, no qual um velho poeta olha para a juventude como o auge da beleza corpórea e trata da fugacidade do tempo, em
Álvares de Azevedo um jovem olha para a velhice da alma. Ao fazer isso, sente as características da decrepitude do espírito humano.

SEGUNDA PARTE
No segundo momento de
Lira dos Vinte Anos, há uma inversão das diretrizes poéticas. Em vez do céu, há a Terra; no lugar da alma, o espírito; substituindo o anjo, a lavadeira, cujo corpo atrai para o pecado. Passa-se do lamento choroso para a ironia sarcástica.

Essas alusões são claramente enunciadas no prefácio da segunda seção. O poeta, lucidamente, aponta ao leitor as mudanças e apresenta até o panorama literário da época, citando importantes autores e obras que se colocam no interior da mesma dicotomia. Suas palavras:

“O poeta acorda na terra. Demais, o poeta é homem. Homo sum, como dizia o célebre Romano. Vê, ouve, sente e, o que é mais, sonha de noite as belas visões palpáveis de acordado. Tem nervos, tem fibra e tem artérias – isto é, antes e depois de ser um ente idealista, é um ente que tem corpo. (...)”

A reiterada afirmação do corpo, que se opõe ao espírito, indica uma mudança poética substancial. O poeta vai agora tentar descer ao mundo das coisas e tratar com humor – e não tristeza – de sua inadequação em relação a elas.

Apesar da mudança no tom, os temas continuam os mesmos: a irrealização do desejo amoroso, o conflito entre o eu e o mundo, a fuga para a morte. Tudo tangido por um prosaísmo mundano. Objetos do cotidiano do poeta, como um charuto, um cachimbo, o vestido de chita, um cigarro sarrento, ganham direito à existência poética.

O poeta foge para o estereótipo de um mundo real, ou seja, um mundo que existe, mas que de fato não é o seu. Sabe-se que
Álvares de Azevedo era um filho de família rica que nunca passou por privações materiais. Por isso, ao tentar figurar a realidade das classes menos favorecidas (como nos poemas em que fala do amor a uma lavadeira ou do poeta sem dinheiro), opera, em outros moldes, uma idealização semelhante à da primeira parte. Em outras palavras, quando o poeta tenta romper com o misticismo da primeira parte, cai numa idealização às avessas, pois ainda se encontra preso às formas impostas pela estética romântica.
Dividida em três partes, Lira dos Vinte Anos é um marco do chamado ultra-romantismo. A primeira parte é marcada pela idealização gigantesca da mulher e do amor, a presença constante da idéia da morte próxima e religiosidade. Como especificado no segundo prefácio, a primeira parte é mais Ariel e a segunda Caliban. Esta Segunda parte contém uma poesia mais sombria, povoada de cadáveres, mulheres (melhor dizer vultos) e festas boêmias, com até certo escárnio em alguns poemas; há também uma peça de teatro (Boêmios, ato único de uma comédia não escrita). Já a terceira parte mistura um pouco das duas anteriores, muito mais a da primeira que a da outra, com uma irregularidade típica do autor. A obra é toda marcada pela influência dos autores estrangeiros como Musset e Byron (este último e sua obra é presença constante nas poesias e epígrafes). Álvares de Azevedo é um dos vultos exponenciais do Romantismo.
Embora tenha morrido aos vinte anos, produziu uma obra poética de alto nível, deixando registrada a sua incapacidade de adaptação ao mundo real e sua capacidade de elevar-se a outras esferas através do sonho e da fantasia para, por fim, refugiar-se na morte, certo de aí encontrar a paz tão almejada. Grande leitor, Álvares de Azevedo parace ter "devorado" tantos os clássicos como os românticos, por quem se viu irremediavelmente influenciado. Embebedendo-se na dúvida dos poetas da geração do mal du siècle, herdou deles o pendor do desregramento, para a vida boêmia e para o tédio. Contrabalança a influência de Byron com os devaneios de Musset, Hoffman e outros. Lira dos Vinte Anos, única obra preparada pelo autor, é composta de três partes. Na primeira, através de poesias como "Sonhando", "O poeta", "A T..." surge o poeta sonhador em busca do amor e prenunciando a morte. Nas poesias citadas, desfila uma série de virgens sonhadoras que ajudam a criar um clima fantástico e suavemente sensual. Por outro lado, em poemas como "Lembranças de morrer", ou "Saudades" surge o poeta que percebe estar próximo da morte, confessa-se deslocado e errante, deixando "a vida como deixa o tédio/ Do deserto, o poento caminheiro".
A terceira parte de A Lira, praticamente é uma extensão da primeira e, portanto, segue a mesma linha poética. É na segunda parte que se encontra a outra face do poeta, o poeta revoltado, irônico, realista, concreto que soube utilizar o humor estudantil e descompromissado. Esta segunda parte abre-se com um prefácio de Álvares de Azevedo que adverte "Cuidado leitor, ao voltar esta página!", pois o poeta já não é o mesmo: "Aqui dissipa-se o mundo visionário e platônico." Algumas produções maiores do poeta aí estão como "Idéias íntimas" e "Spleen e charutos", poesias que perfeitamente bom-humor, graciosidade e uma certa alegria.
Deixa-se levar pelo deboche em "É ela!, É ela!, É ela!, É ela!" , em que revela sua paixão pela lavadeira; em "Namoro a cavalo", registrando as interpéries por que passa o namorado para encontrar sua amada que mora distante. Resta lembrar que a obra de Álvares de Azevedo apresenta linguagem inconfundível, em cujo vocabulário são constantes as palavras que expressam seus estados de espírito, a fuga do poeta da realidade, sua busca incessante pelo amor, a procura pela vida boêmia, o vício, a morte, a palidez, a noite, a mulher... Em "Lembrança de morrer", está o melhor retrato dos sentimentos que envolvem sua vida, tão próxima de sua obra poética: "Descansem o meu leito solitário/ Na floresta dos homens esquecida,/ À sombra de uma cruz e escrevam nela:/ - Foi poeta, sonhou e amou na vida."
Álvares de Azevedo é um dos vultos exponenciais do Romantismo. Embora tenha morrido aos vinte anos, produziu uma obra poética de alto nível, deixando registrada a sua incapacidade de adaptação ao mundo real e sua capacidade de elevar-se a outras esferas através do sonho e da fantasia para, por fim, refugiar-se na morte, certo de aí encontrar a paz tão almejada. Grande leitor, Álvares de Azevedo parace ter 'devorado' tantos os clássicos como os românticos, por quem se viu irremediavelmente influenciado. Embebedando-se na dúvida dos poetas da geração do mal du siècle, herdou deles o pendor do desregramento, para a vida boêmia e para o tédio. Contrabalança a influência de Byron com os devaneios de Musset, Hoffman e outros. Lira dos Vinte Anos, única obra preparada pelo autor, é composta de três partes.
Na primeira, através de poesias como 'Sonhando', 'O poeta', 'A T...' surge o poeta sonhador em busca do amor e prenunciando a morte. Nas poesias citadas, desfila uma série de virgens sonhadoras que ajudam a criar um clima fantástico e suavemente sensual. Por outro lado, em poemas como 'Lembranças de morrer', ou 'Saudades' surge o poeta que percebe estar próximo da morte, confessa-se deslocado e errante, deixando 'a vida como deixa o tédio/ Do deserto, o poento caminheiro'.
A terceira parte de A Lira, praticamente é uma extensão da primeira e, portanto, segue a mesma linha poética. É na segunda parte que se encontra a outra face do poeta, o poeta revoltado, irônico, realista, concreto que soube utilizar o humor estudantil e descompromissado. Esta segunda parte abre-se com um prefácio de Álvares de Azevedo que adverte 'Cuidado leitor, ao voltar esta página!', pois o poeta já não é o mesmo: 'Aqui se dissipa o mundo visionário e platônico.' Algumas produções maiores do poeta aí estão como 'Idéias íntimas' e 'Spleen e charutos', poesias que perfeitamente bom-humor, graciosidade e uma certa alegria.
Deixa-se levar pelo deboche em 'É ela!, É ela!, É ela!, É ela!' , em que revela sua paixão pela lavadeira; em 'Namoro a cavalo', registrando as intempéries por que passa o namorado para encontrar sua amada que mora distante.

Resta lembrar que a obra de Álvares de Azevedo apresenta linguagem inconfundível, em cujo vocabulário são constantes as palavras que expressam seus estados de espírito, a fuga do poeta da realidade, sua busca incessante pelo amor, a procura pela vida boêmia, o vício, a morte, a palidez, a noite, a mulher... Em 'Lembrança de morrer', está o melhor retrato dos sentimentos que envolvem sua vida, tão próxima de sua obra poética: 'Descansem o meu leito solitário/ Na floresta dos homens esquecida,/ À sombra de uma cruz e escrevam nela:/ - Foi poeta, sonhou e amou na vida.'

EU VOS ABRAÇO MILHÕES
A primeira paixão de Valdo foi a leitura. A leitura o aproximou de Geninho. E Geninho o apresentou ao comunismo. A ideia de que a desigualdade fosse uma injustiça e de que houvesse pessoas lutando pelo fim da opressão social mudou a vida do garoto. Decidido a entrar para o Partido Comunista, Valdo abre as porteiras da estância e cai no mundo. Levando poucos pertences e quase nenhum dinheiro, embarca clandestinamente num trem com destino ao Rio de Janeiro.
Na Cidade Maravilhosa, acredita, o lendário líder do Partido, Astrojildo Pereira, haverá de recebê-lo de braços abertos para conduzi-lo em pessoa às fileiras da militância, onde finalmente sua vida ganhará sentido. Mas Astrojildo não está no Rio. Foi a Moscou, sem data para voltar. E Valdo não tem dinheiro. Em vez de lutar para libertar a classe oprimida, torna-se ele próprio um assalariado, operário da construção. Para piorar as coisas, na obra que culminará num imenso ícone da alienação: o Cristo Redentor.
Quadro vívido e fascinante do Brasil na virada para a década de 30, Eu vos abraço, milhões é uma leitura imperdível, que reúne a Coluna Prestes e a Revolução de 30 às reflexões, perplexidades e fantasias de um personagem inesquecível.
O livro Eu vos abraço, Milhões é mais uma criação do gaúcho Moacyr Scliar que promete se tornar uma obra-prima. A começar por seu título, que remete a uma poesia do alemão Friedrich Schiller, a qual está discretamente presente no enredo, mais nas entrelinhas que em seu conteúdo.
O enredo também encanta e cativa o leitor. A trama se desenrola como uma daquelas velhas histórias contadas a um neto por seu avô, em um recanto aprazível da casa, em uma serena manhã de domingo. Só que esta narrativa é, na verdade, um relato da trajetória existencial do protagonista, Valdo, nascido em uma fazenda de criação de gado, na cidade de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul.
Esta obra, que se parece igualmente com uma extensa epístola, revela primeiramente a criança, filho de um capataz da estância, sua determinação em estudar, o despertar do amor pela literatura, com a ajuda de sua mestra, que o inicia neste campo, particularmente através de Machado de Assis.
Valdo dá uma guinada em sua vida ao conhecer o filho de sua professora, Geninho, pois a partir de então o garoto passa a lhe orientar ideologicamente. Já adolescente, ele se engaja na luta política ao lado dos comunistas, quando tinha somente 15 anos, justamente no período em que se inicia a década de 30, o país passa por séria crise econômica, a qual abala todo o globo, cresce o prestígio da Coluna Prestes e é deflagrada a Revolução de 1930.
A aproximação de Valdo da doutrina comunista também se dá através da literatura, embora os novos ideais alterem igualmente suas preferências literárias. Nesta época ele se volta contra seu antigo mestre, Machado de Assis, por considerá-lo um membro da burguesia; ele chega até mesmo a colocar fogo em uma edição de Dom Casmurro. Até mesmo Euclides da Cunha, com seu clássico Os Sertões, é visto por ele com suspeita e um certo desprezo.
Para ingressar no Partido Comunista ele abandona os familiares e segue para o Rio de Janeiro, mas nas engrenagens da política ele encontra a dura realidade, a qual contrasta com suas fantasias da juventude. Vivendo na então capital do Brasil, na casa de um companheiro, ele encontra momentos felizes no interior de uma livraria.
O autor da obra destaca a importância dos livros na existência não só de Valdo, mas igualmente de seus companheiros de jornada, que viam na literatura um refúgio seguro, e professavam sua fé nas linhas entretecidas por mãos e mentes distintas. Moacyr vê nesta devoção quase religiosa sua própria experiência com a literatura, uma vez que sua geração, que sucede a do personagem Valdo, foi movida também pelos acontecimentos desta época.
O percurso de Valdo, nesta obra, é, de certa forma, a do próprio Partido, a qual parte das aspirações que produzem os mais diversos devaneios, e culmina nas armadilhas do poder autoritário, seguindo, finalmente, as trilhas da submissão do operariado. É cruel, para Valdo e os demais comunistas, ver seus sonhos desaguarem nas águas do regime criado por Stalin, um totalitarista de esquerda.




TÓPICO FRASAL

CONCEITO
Constituído habitualmente por um ou dois períodos curtos iniciais, o tópico frasal (frase-guia ou frase-núcleo) encerra de modo geral e conciso a idéia-núcleo do parágrafo. É uma generalização, em que se expressa opinião pessoal, um juízo, se define ou se declara alguma coisa.
Assim como a introdução, o tópico frasal pode ser feito com uma declaração, uma definição, uma enumeração, uma divisão etc.
TIPOS DE TÓPICOS FRASAIS
DECLARAÇÃO INICIAL
A relação entre civilizações antigas e Sirius, a mais importante estrela da constelação de Cão Maior, é notória. Além dos egípcios, o astro mais brilhante do céu noturno fascinava gregos, romanos e polinésios, entre outros. Seu reaparecimento, depois de 70 dias de ausência anual, era celebrada com rituais e cerimônias repletas de simbolismo. No Egito antigo, o retorno de Sirius marcava o início de um novo ano e indicava a chegada da estação das chuvas, além do aumento no nível do rio Nilo.
                                                                                                                                         (Isto é 07/10/2009, n.º  2082) 
ENUMERAÇÃO 
Para transformar esse tesouro em riqueza para todos os brasileiros que necessitam de melhoria na educação, saúde, infraestrutura e distribuição de renda, o País precisa cruzar cinco fronteiras.  (Tópico frasal) A primeira é a geográfica, pois o pré-sal está nos limites da plataforma marítima, a cerca de 300 quilômetros da costa.  A segunda, geológica, em razão da profundidade em que se encontra.  Outra fronteira é tecnológica, devido aos complexos sistemas necessários para a extração. O País já deu passos significativos para ultrapassar esses três limites. As outras duas fronteiras, a econômica e a política, O Brasil começa a cruzar a partir do marco regulatório. Nesse sentido, Lula não exagera ao afirmar que o dia 31 de agosto de 2009 entrará para a história como “um novo Dia da Independência do Brasil”.
                                                                                                                                        (Isto é 09/09/2009, num. 2078) 
CONTRASTE
Exemplo, também muito conhecido, de parágrafo com desenvolvimento por contraste é o de Rui Barbosa sobre política e politicalha:
 Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente (tópico frasal). A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. A politicalha é indústria de o explorar a benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou conjunto das funções do organismo nacional; é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.
                                                                                                                (Apud Luís Viana Filho, op. cit., p. 32) 
Vê-se logo pelo tópico frasal que se trata de um contraste, e não propriamente de um paralelo ou confronto (como de Castilho), pois o que o Autor ressalta entre política e politicalha é o seu antagonismo e não a sua identidade. Ora, o valor do contraste – de que a antítese é a figura típica – reside precisamente na sua capacidade de realçar certas idéias, pela simples oposição a outras, contrárias. 
ENUMERAÇÃO
“A emissora carioca pode não entender nada de democracia, nem de jornalismo, mas é especialista em manipulação eleitoral. Fez campanha contra o Movimento Diretas-Já, vendo-se obrigada a aderir na última hora, quando seus veículos já não podiam circular sem sofrer hostilidade da população. No desespero de evitar uma vitória de Leonel Brizola na eleição para governador do Rio, a Globo já havia se envolvido no escândalo Proconsult, uma das maiores vergonhas na história recente. Mais tarde, praticou a edição criminosamente deformada do debate entre os candidatos Collor e Lula, com vistas a eleger o primeiro, a quem apoiou durante toda a campanha.”
                                                                                                         (Folha de S. Paulo, São Paulo, 22 set. 1996. p.1-7)

Toda grande cidade tem seu cronista por excelência, aquele que melhor a define e caracteriza, de forma explícita ou não. Londres, por exemplo, teve em Charles Dickens seu mais perfeito tradutor, o homem que soube da maneira mais incisiva desvendar cada mistério de suas ruas e bairros. O mesmo pode ser creditado a Kafka com Praga, Fernando Pessoa com Lisboa e Joyce com Dublin. Esses autores não descrevem uma cidade idealizada ou maquiada, mas sim as mostravam como de fato eram, ao mesmo tempo belas e ásperas, quase que um personagem a mais em suas obras. Essa persona de concreto e asfalto, o pano de fundo de mais de uma ou de várias obras que vai aos poucos ficando cada vez mais denso até se inserir substantivamente em um romance, pode também  ser O Rio de Janeiro que Machado de Assis tão bem conheceu. É nas obras do criador de Brás Cubras que um Rio fin-de-siècle melhor se descortina e é melhor caracterizado. Poucos usaram e abusaram  da Cidade Maravilhosa como Machado, fazendo  seus personagens se inserirem de tal forma à paisagem que cada um de seus livros bem poderia servir de um guia para o Rio que, para muitos, infelizmente não existe mais. Mas se essa cidade ficou no passado, o guia para ela pode ser encontrado na forma de Rio de Assis (Editora Casa da Palavra), uma interessante viagem até a grande metrópole brasileira do século XIX concebida pela designer Aline Carrer e um dos mais belos lançamentos do ano passado.
                                                                                                                                               Revista Cult, no.37,p. 21 
Este é o início de um texto longo que apresenta ao leitor um livro de arte contendo fotos do Rio de Janeiro do Tempo de Machado de Assis. Antes de mais nada, preste atenção na primeira frase do parágrafo: Toda grande cidade tem seu cronista por excelência, aquele que melhor a define e caracteriza, de forma explícita ou não. Observe a estratégia do autor: para chegar ao Rio de Machado de Assis, ele universaliza a idéia de que as grandes cidades sempre têm os seus cronistas. A primeira frase anuncia o tema do parágrafo; as frases seguintes demonstram o que se disse – Londres e Dickens, Kafka e Praga etc. Ao final, aparecem O Rio de Janeiro e Machado de Assis. E o parágrafo se fecha com o assunto do texto propriamente dito: o livro de Assis, que será resenhado nos parágrafos seguintes. O tema do artigo foi valorizado pela comparação internacional proposta na primeira frase e pela idéia implícita de que Machado  é a nossa grande referência literária.
Estamos diante de um texto especializado de uma revista de cultura. Não se trata de uma informação jornalística direta, em que “não se perde tempo” com introduções. Mas o recurso da “frase-guia”, que veremos em seguida, funciona em qualquer gênero e é sempre útil.
Para conferir se é assim mesmo, leia o texto seguinte.

O DESTINO DO LIXO DIGITAL
A reciclagem é alternativa para diminuir o volume de computadores jogados fora
Adriana Dias Lopes 
Um efeito da era digital que ninguém previu está tirando o humor dos ambientalistas. Até 2004, deverão ser descartados 315 milhões de micros em todo o planeta. O entulho conta com a contribuição dos brasileiros: calcula-se que 850 mil máquinas ficarão obsoletas por aqui até o fim de 2001. O problema é maior do que o espaço que monitores ou teclados ocupam na lata de lixo. Muitas peças eletrônicas são feitas de metais pesados, como mercúrio, níquel, cádmio, arsênico e chumbo, com efeitos tóxicos para a saúde do ser humano.
Em países onde o movimento ambientalista é mais forte, a reciclagem é o método mais incentivado. “Japão, França, Suécia, Alemanha e Estados Unidos desestimulam a manutenção dos aterros com a cobrança de impostos elevados”, diz a química Glória Nair Freire de Araújo, do Ceped (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento), um dos laboratórios de análise de pilhas e baterias credenciados no Brasil. Quem procura se livrar de um micro obsoleto deve procurar um empresa de reciclagem. São poucas no país.
O tema da reciclagem de computadores começa a aparecer em círculos especializados. Mas, por enquanto, a Convenção de Basiléia (1989) é a única regulamentação internacional a respeito. Criada por representantes governamentais, de ONGs e de indústrias de cerca de 120. países, entre eles O Brasil, ele visa proibir o movimento de resíduos perigosos entre as fronteiras dos participantes. “A sucata eletrônica entrou na lista dos componentes vetados há apenas três anos”, Diz  Marcelo Furtado, coordenados de campanha do Greenpeace, um dos participantes. “Não existe controle sobre a doação de equipamentos velhos – que muitas vezes viram lixo”, alerta.
O interesse pela sucata eletrônica, em geral por parte de países em desenvolvimento, tem motivos econômicos. Muitos computadores possuem metais preciosos em sua composição, como a prata e o ouro (veja quadro). Além de valiosos, 98% do ouro e da prata podem ser reutilizados. Uma das maiores empresas de reciclagem na Itália, A Geodis Logistics, aproveita mais material. Segundo seus cálculos, 94% dos componentes de um micro são reaproveitáveis. A notícia interessou outras grandes empresa.


Leis servem para baterias 
Fabricantes e lojas autorizadas que trabalham com pilhas e baterias receberam um ultimato, no ano passado. O Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) deu 12 meses a essas empresas para encontrarem modos de recolher baterias esgotadas. O prazo venceu em 23 de julho. Daqui a um ano, a reciclagem ou o armazenamento em lugares seguros será obrigatório.

A resolução do Conama é ainda mais abrangente. Há um mês, embalagens de pilhas e baterias têm de sair das fábricas com advertência sobre os riscos que os metais podem causar ao ambiente. Pela primeira vez, a quantidade de mercúrio, cádmio e chumbo tem de seguir padrões internacionais. Mas até julho, os dois únicos laboratórios credenciados para esse tipo de análise – o Ceped e o Cetind – na Bahia não haviam recebido produtos para examinar.
                                                                                                                                                   Revista Galileu, ed. 109
EXERCÍCIOS

1.Grife o tópico frasal de cada parágrafo apresentado. Não deixe de observar como o autor desenvolve.
      a) “O isolamento de uma população determina as características culturais próprias. Essas sociedades não têm conhecimento das idéias existentes fora de seu horizonte geográfico. É o que acontece na terra dos cegos do conto de H.G. Welles. Os cegos desconhecem a visão e vivem tranqüilamente com sua realidade, naturalmente adaptados, pois todos são iguais. Esse conceito pode ser exemplificado também pelo caso das comunidades indígenas ou mesmo qualquer outra comunidade isolada.”(Redação de vestibular)
      b) “O desprestígio da classe política e o desinteresse do eleitorado pelas eleições proporcionais são muitos fortes. As eleições para os postos executivos é que constituem o grande momento de mobilização do eleitorado. É o momento em que o povão se vinga, aprovando alguns candidatos e rejeitando outros. Os deputados, na sua grande maioria, pertencem à classe A. É com os membros dessa classe que os parlamentares mantêm relações sociais, comerciais, familiares. É dessa classe com a qual mantêm maiores vínculos, que sofrem as maiores pressões. Desse modo, nas condições concretas das disputas eleitorais em nosso país, se o parlamentarismo não elimina inteiramente a influência das classes D e E no jogo político, certamente atua no sentido de reduzi-la.” (Leôncio M. Rodrigues)
    

  2. Apresentamos a seguir alguns tópicos frasais para serem desenvolvidos na maneira sugerida.
      a) Anacleto é um detetive trapalhão. (por enumeração de detalhes: forneça a descrição física e psicológica do   personagem).
      b) As novelas transmitidas pela televisão brasileira são muito mais atraentes que nossos filmes. (por confronto)
      c) As cidades brasileiras estão se tornando ingovernáveis. (por razões)
      d) Há três tipos básicos de composição: a narração, a descrição e a dissertação. (por análise)
      e) Nunca diga que algum ser humano é uma ilha: tudo que acontece a um semelhante nos atinge. (por    exemplificação)
   
    3. Desenvolva também estes tópicos frasais dissertativos:
      a) A prática do esporte deve ser incentivada e amparada pelos órgãos públicos.
      b) O trabalho dignifica o homem, mas o homem não deve viver só para o trabalho.
      c) A propaganda de cigarros e de bebidas deve ser proibida.
      d) O direito à cultura é fundamental a qualquer ser humano.
      2. Desenvolva os tópicos frasais seguintes, considerando os conectivos:
      a) O jornal pode ser um excelente meio de conscientização das pessoas, a não ser que
      b) As mulheres, atualmente, ocupam cada vez mais funções de destaque na vida social e política de muitos países;  no entanto
      c) Um curso universitário pode ser um bom caminho para a realização profissional de uma pessoa, mas...
      d) Se não souber preservar a natureza, o ser humano estará pondo em risco sua própria existência, porque...
      e) Muitas pessoas propõem a pena de morte como medida para conter a violência que existe hoje em várias cidades; outras,porém
      f) Muitos alunos acham difícil fazer uma redação, porque.
      g) Muitos alunos acham difícil fazer uma redação, no entanto
      h) Um meio de comunicação tão importante como a televisão não deve sofrer censura, pois
      i) Um meio de comunicação tão importante como a televisão não deve sofrer censura, entretanto
      j) O uso de drogas pelos jovens é, antes de tudo, um problema familiar, porque
      l) O uso de drogas pelos jovens é, antes de tudo, um problema familiar, embora





PALAVRAS INADEQUADAS
Não há dúvida de que o uso do dicionário é imprescindível para quem se propõe a escrever bem. Todavia, como as palavras, em geral, têm mais de um significado, a simples consulta ao dicionário pode ser uma armadilha para um estudante descuidado.

Palavras inadequadas ao contexto – Deve-se ter sempre em mente que a significação da palavra é condicionada pelo contexto da frase e do parágrafo. Procure evitar impropriedades como as seguintes: O colegiado poderá decidir antecipadamente (quando o que se quer dizer é: o colegiado poderá antecipar a decisão).

O prazo final está marcado para 31 de março (o que está marcado é o fim do prazo; pode-se também dizer que o prazo acaba em 31 de março). Uma das vantagens desse empreendimento é menos custo... (quando o mais adequado é: menor custo). O salário mínimo passará a valer 900 reais (o que vale é o bem ou serviço; o salário passará a ser 900 reais).

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"Falsos sinônimos" – Embora dois vocábulos possam ter sentidos semelhantes, estes nunca serão exatamente iguais. Em cheio e pleno, a diferença é tênue. O primeiro é mais usado em linguagem corrente (sala cheia de gente); o segundo aparece, em geral, em obras literárias (primavera plena de alegrias) ou com o significado de "completo, inteiro, absoluto; cabal" (às quatro horas, em plena escuridão...). Há também diferença entre os termos caso e hipótese; comportamento e atitude, que os dicionários apresentam como sinônimos. Observe:

“Na hipótese (eventualidade) de você ser eleito, lembre-se do caso (acontecimento, fato) do Palace II”. "A atitude (reação positiva ou negativa em relação à determinada situação) que ele assumiu perante a vida ditou-lhe o comportamento (procedimento, conduta) daquele dia em diante."

Não acredite em sinônimos perfeitos. Seja criterioso ao escolher as palavras, pois quase sempre existe uma única palavra para exprimir com exatidão o que você quer dizer. Escolha a alternativa mais adequada ao contexto que a situação estiver requerendo.


Redundância

Confundindo-se às vezes com o pleonasmo (repetição de uma mesma ideia, mediante palavras diferentes), ela consiste não apenas em explicitar em demasia, em detalhar desnecessariamente, em acrescentar ideias já claramente expressas ou implicitamente subentendidas, mas também em sobrecarregar a frase com adjetivos e advérbios, com acumulação de sinônimos e repetição de palavras sem efeito enfático algum.

Fuja a repetições viciosas de ideias e pormenores desnecessários. À exceção de casos especiais de redundância (para enfatizar uma ideia ou conferir à expressão mais clareza – p. ex.: "a fim de aperfeiçoar, ainda mais, nossos serviços..."), evite os pleonasmos.

Palavras desnecessárias

“Quando de repente, o telefone tocou”. Por acaso existe algum modo do telefone tocar sem ser “de repente”? Será que algum telefone avisa quando irá tocar? É claro que não, portanto é desnecessário escrever desse modo, prefira escrever simplesmente: o telefone tocou.

Este é um exemplo de palavras desnecessárias que comumente se costuma incluir em um texto. Procure ser direto e objetivo, tais palavras só prejudicam sua redação.

Você também deve tomar cuidado com algumas palavras – geralmente qualificativas – que só servem para alongar a frase. O pouco que essas palavras podem acrescentar à mensagem não justifica sua permanência no texto. Veja alguns exemplos:

- total atenção; alterações necessárias; fundamental importância; foi considerado como sendo o melhor aluno; como é sabido; como se sabe; seguir rigorosamente; devidamente lacrado; atender prontamente; valor efetivamente recebido; estritamente necessários; muito embora se saiba que; está completamente envolvido; o serviço ficou totalmente paralisado; piorou ainda mais a situação; isto posto, concluímos finalmente que; até o presente momento; é desnecessário dizer que; por sua vez, deve... Em casos especiais, estas expressões podem até ser necessárias, mas, em geral, são prescindíveis.

Alguns desses acessórios, além de inúteis, são pleonásticos, como: manter permanentemente; surpresas inesperadas; de sua própria autoria; novidades inusitadas; evidência concreta; conclusão final; ganhar gratuitamente; encarar; ocorreu no horário das 8 às 19 h; planejar com antecedência; já logo na próxima semana; continuamos ainda aguardando; dividir em duas metades iguais; na atual conjuntura moderna; nosso apreço e estima; fundamentos básicos; anteriormente citado; reiteramos novamente; na data de hoje.

Lembre-se: Sua redação deve ser clara e limpa, escreva somente o necessário e o escreva bem, evite enfeitar sua redação com expressões que pouco contribui para seu texto
Algumas dicas de Santa para facilitar produção de texto

Planeje

Determine um tempo para cada etapa do processo de redação.
Lembre-se dos conceitos aprendidos em aulas, livros, estudos.
Pesquisa em sua mente
Qual o seu conhecimento sobre o assunto abordado? Tente se lembrar de algo relacionado ao assunto enquanto forma ideias.

Faça anotações e as organize em um esboço.
Faça um esboço. Determine como você desenvolverá seu argumento: Use lógica para contrariar um argumento ou apoiar uma tese. Você comparará ou definirá? Você criticará?

Seu primeiro parágrafo
Introduza o tópico!
Informe o leitor de seu ponto de vista!
Atraia o leitor para continuar lendo seu texto





Focalize em três pontos principais para desenvolver sua redação.
O primeiro parágrafo é frequentemente o mais difícil de escrever. Se você tiver muita dificuldade, deixe para reescrevê-lo depois, até mesmo depois que você terminar o desenvolvimento ou o resto da redação. Mas lembre-se que leva o leitor a se interessar ou não pelo restante do texto.

Desenvolvimento
Estabeleça um fluxo de parágrafo para parágrafo.
As orações de transição, cláusulas, ou palavras no começo do parágrafo conectam uma ideia à próxima. Evite muitos parágrafos ou parágrafos longos.
Mantenha a voz ativa
"O Comitê Acadêmico decidiu... e não “foi decidido por”...”.
Use cotações para apoiar suas interpretações
Corretamente introduza e explique cada citação
Prove seu ponto de vista ao longo da redação
Não enrole o leitor durante o desenvolvimento da redação, use essa parte para apoiar os pontos da introdução.
Conclusão
Leia seu primeiro parágrafo e o desenvolvimento
Resuma, e então, conclua seu argumento.
Os últimos parágrafos redeclaram as ideias principais do seu texto.
Atente para a importância dos argumentos
Eles estão logicamente desenvolvidos?

Releia sua redação

Edite, corrija, e reescreva o que for necessário.
Entregue a redação
Celebre bem um trabalho feito, com a confiança que você fez seu melhor.

Os 10 Mandamentos da arte de Escrever
1 - Escrever é mandar recado
A receita de uma sobremesa é um recado. O convite para a festa de aniversário é um recado. A carta para seu amado é um recado. Toda mensagem é um recado.

2 - Seja natural
Fique à vontade. Imagine que o leitor esteja à sua frente. Converse com ele. Fale fácil e espaceje suas frases com pausas. Confira ao texto um toque humano, pois você escreve para pessoas.

3 - Vá direto ao assunto
Não enrole: Comece pelo mais importante. E comece bem, com uma frase atraente, que lhe desperte o interesse e o estimule a prosseguir a leitura. No final, dê-lhe o prêmio de um fecho de ouro, como inesquecível sobremesa a coroar um lauto almoço.


4 - Use frases curtas
A pessoa só consegue dominar determinado número de palavras antes que os olhos peçam uma pausa. A frase muito longa dá trabalho, confunde. Por isso, use sentenças de, no máximo, uma linha e meia. Lembre-se: uma frase longa nada mais é do que duas curtas.

5 - Prefira palavras breves e simples
Vocábulos longos e pomposos funcionam como cortina de fumaça entre você e o leitor. Seja simples. Entre duas curtas, a mais simples. Em vez de falecer, escreva morrer; em lugar de somente, só; de matrimônio, casamento; de féretro, caixão; de morosidade, lentidão.

6 - Ponha as sentenças na forma positiva
Diga o que é não o que não é. Quer exemplos? Não ser honesto é ser desonesto; não lembrar é esquecer; não dar atenção é ignorar; não comparecer é faltar; não pagar em dia é atrasar o pagamento.

7 - Opte pela voz ativa
Ela é mais direta, vigorosa e concisa que a passiva (a passiva, como o nome diz, parece sem força, desmaiada). Prefira "um raio provocou o blecaute" a "o blecaute foi provocado por um raio".

8 - Abuse de substantivos e verbos
Escreva com a convicção de que no idioma só existem essas duas classes de palavras. As demais, sobretudo adjetivos e advérbios, devem ser usadas com a sovinice do Tio Patinhas. Na dúvida, deixe-os pra lá: (Normalmente) ao escrever textos (informativos), use substantivos (fortes) e verbos (expressivos).

9 - Seja conciso
Não diga nem mais nem menos do que você precisa dizer. Cultivar a economia verbal sem prejuízo da completa e eficaz expressão do pensamento tem dupla vantagem. Uma: respeita a paciência do leitor. Outra: poupa tempo e espaço.

10 - Persiga a clareza
Dificultar a compreensão do texto é colocar uma pedra no caminho do leitor. Para quê? Facilite-lhe a vida. Nas declarações longas, não o deixe ansioso. Identifique o autor imediatamente antes da citação ou depois da primeira frase.